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Ceratose actínica: a lesão que indica dano solar acumulado

Dra. Juliana Sugita
Dra. Juliana Sugita
February 20, 2026
.min

O que muitas pessoas chamam de “pele áspera”, “manchinha seca” ou “casquinha que não melhora” pode ser, na verdade, um sinal de dano solar acumulado ao longo dos anos.

A ceratose actínica não surge de um dia para o outro. Ela é resultado da exposição crônica à radiação ultravioleta, especialmente em áreas do corpo que recebem sol com frequência. E, embora muitas vezes seja discreta, merece atenção.

O que é ceratose actínica?

A ceratose actínica é uma lesão cutânea causada pelo dano cumulativo da radiação solar. Ela ocorre quando as células da camada mais superficial da pele sofrem alterações ao longo do tempo.

É considerada uma lesão pré-maligna, o que significa que possui potencial de evolução para câncer de pele - especialmente o carcinoma espinocelular - se não for tratada adequadamente.

Isso não significa que toda ceratose actínica evoluirá para câncer. Mas significa que ela não deve ser ignorada.

Como a ceratose actínica se apresenta?

Muitas vezes, o paciente percebe apenas uma área:

  • áspera ao toque

  • levemente avermelhada ou amarronzada

  • com descamação persistente

  • que melhora e volta

  • que não cicatriza completamente

Em alguns casos, a alteração é mais sentida do que vista. O paciente relata que “passa a mão e sente uma lixa”.

As regiões mais acometidas incluem:

  • rosto

  • couro cabeludo (especialmente em áreas com menos cabelo)

  • orelhas

  • dorso das mãos

  • braços

  • colo

Todas áreas com histórico de exposição solar frequente.

Por que ela é comum após os 40 anos?

A ceratose actínica está diretamente relacionada ao acúmulo de radiação ultravioleta ao longo da vida. Por isso, costuma surgir com maior frequência após os 40 ou 50 anos quando o dano solar acumulado começa a se manifestar de forma mais evidente.

Não se trata apenas do sol atual. Trata-se do sol de anos atrás.

Exposição na infância, adolescência e juventude contribuem para o aparecimento dessas lesões décadas depois.

Ceratose actínica dói? Coça?

Na maioria das vezes, não.

Esse é justamente o motivo pelo qual muitas pessoas ignoram a lesão.
Ela não causa dor intensa, não gera desconforto significativo e não interfere na rotina  pelo menos no início.

Mas o fato de não incomodar não significa que não mereça avaliação.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, realizado durante a consulta dermatológica.
Em muitos casos, a dermatoscopia auxilia na avaliação das características da lesão.

Quando há dúvida diagnóstica, pode ser indicada biópsia para confirmação.

Qual é o tratamento?

O tratamento depende da quantidade de lesões, da localização e do perfil do paciente.

Pode envolver:

  • tratamentos tópicos

  • procedimentos específicos

  • acompanhamento periódico

O objetivo principal é reduzir o risco de progressão para câncer de pele e preservar a saúde da pele ao longo do tempo.

O papel da fotoproteção

A ceratose actínica é um marcador de dano solar acumulado.
Por isso, a fotoproteção é parte fundamental do cuidado.

Medidas importantes incluem:

  • uso diário de protetor solar com FPS adequado

  • reaplicação ao longo do dia

  • uso de chapéus e barreiras físicas

  • evitar exposição nos horários de maior radiação

O cuidado não é apenas estético. É preventivo.

Por que avaliar mesmo que pareça “só uma mancha”?

Muitas lesões malignas iniciais podem se parecer com ceratoses actínicas.
Além disso, a presença de uma ceratose indica que aquela pele já sofreu dano solar significativo.

Avaliar precocemente permite definir a conduta adequada e reduzir riscos futuros.

Quando procurar o dermatologista?

Se você percebe:

  • áreas ásperas que persistem

  • descamação recorrente

  • manchas que não cicatrizam

  • lesões que surgiram em áreas muito expostas ao sol

vale agendar uma avaliação.

Diagnóstico precoce é sempre mais simples do que tratar lesões avançadas.

Conclusão

A ceratose actínica não é apenas “pele ressecada”.
É um sinal de que o sol deixou marcas ao longo do tempo.

Cuidar da pele é também olhar para essas alterações com atenção e responsabilidade.

🩺 Dra. Juliana Sugita
Dermatologista – CRM-GO 11716 | RQE 8239

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Mat Lima | Design & Dev