Dr. Danilo
Sugita
Cirurgia plástica
Qual profissional você procura?

Nos últimos anos, medicamentos utilizados para emagrecimento, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. A perda de peso rápida, associada à praticidade do tratamento, fez com que essas medicações ganhassem enorme popularidade.
Mas junto com os resultados na balança, outra queixa começou a aparecer com frequência cada vez maior nos consultórios dermatológicos: a queda de cabelo.
Muitas mulheres relatam a mesma experiência. Primeiro vem o emagrecimento acelerado. Depois de alguns meses, começam a perceber aumento de fios no travesseiro, no banho, na escova e uma sensação de afinamento progressivo dos cabelos.
Em alguns casos, o volume diminui visivelmente. Em outros, aparecem falhas, rarefação na parte frontal ou uma perda importante de densidade capilar.
Isso gera preocupação, insegurança e muitas dúvidas.
Afinal, a caneta emagrecedora realmente faz o cabelo cair?
Na maioria das vezes, a queda não acontece porque o medicamento “ataca” diretamente o cabelo.
O problema costuma estar nas mudanças metabólicas que o organismo sofre durante um emagrecimento acelerado.
O cabelo é uma estrutura extremamente sensível ao funcionamento do corpo. Quando o organismo entende que existe uma mudança intensa acontecendo, ele tende a priorizar funções consideradas essenciais para sobrevivência. Com isso, os fios entram em uma fase de interrupção do crescimento.
Esse processo é conhecido como eflúvio telógeno, um tipo de queda capilar bastante comum após situações de estresse metabólico.
Isso pode acontecer após:
No caso das canetas emagrecedoras, vários fatores podem contribuir ao mesmo tempo.
Muitas pacientes passam a comer menos, ingerir menos proteína, reduzir nutrientes importantes e apresentar deficiência de vitaminas e minerais fundamentais para o crescimento saudável dos fios.
Além disso, o próprio impacto do emagrecimento acelerado pode funcionar como um gatilho para queda capilar.
Essa é uma dúvida muito comum.
Diferente do que muitas pessoas imaginam, o cabelo não responde imediatamente às alterações do organismo.
Normalmente, existe um intervalo de dois a quatro meses entre o gatilho e o início da queda.
Por isso, muitas mulheres começam a perder cabelo algum tempo depois do início do emagrecimento e acabam não associando uma coisa à outra.
No consultório, é comum ouvir frases como:
“Eu emagreci bastante e achei que estava tudo bem, mas agora meu cabelo começou a cair de repente.”
Na verdade, o corpo já vinha sofrendo as consequências daquela mudança metabólica há algum tempo.
Não.
Esse é um dos pontos mais importantes.
Embora o eflúvio telógeno seja frequente, nem toda queda capilar deve ser considerada “esperada” ou temporária.
Em muitas pacientes, o emagrecimento rápido acaba revelando problemas que já existiam silenciosamente.
Mulheres com tendência genética à alopecia androgenética, por exemplo, podem perceber piora importante após grandes mudanças hormonais ou metabólicas.
Além disso, existem outras condições que precisam ser investigadas:
Por isso, tentar resolver a situação apenas com suplementos indicados na internet ou produtos sem avaliação médica pode atrasar o diagnóstico correto.
Alguns sinais indicam que a queda precisa ser investigada com mais cuidado:
Outro ponto importante é observar a velocidade da mudança.
Quando a paciente percebe que o cabelo “mudou completamente” em pouco tempo, isso merece avaliação dermatológica.
A queda de cabelo não afeta apenas a aparência.
Ela interfere diretamente na autoestima, segurança e qualidade de vida da mulher.
Muitas pacientes relatam sofrimento emocional importante quando começam a perceber o afinamento dos fios. Algumas evitam prender o cabelo, tirar fotos ou até frequentar determinados ambientes por insegurança.
Existe também a frustração de quem finalmente conseguiu emagrecer e, logo depois, começa a enfrentar outro problema que afeta sua imagem.
Por isso, olhar para a saúde capilar vai muito além da estética.
O cabelo frequentemente funciona como um reflexo do equilíbrio do organismo.
Sim. E quanto antes o tratamento é iniciado, melhores costumam ser os resultados.
O primeiro passo é identificar a causa da queda.
A avaliação dermatológica permite analisar:
A partir disso, o tratamento pode incluir diferentes estratégias, dependendo da necessidade de cada paciente.
Entre elas:
Cada caso precisa ser conduzido de forma individualizada.
As canetas emagrecedoras representam um avanço importante para muitas pessoas. Quando bem indicadas e acompanhadas, podem trazer benefícios relevantes para a saúde.
Mas o emagrecimento rápido também exige atenção aos impactos que o organismo pode sofrer durante esse processo.
A queda capilar não deve ser ignorada, principalmente quando existe perda importante de volume, afinamento progressivo ou persistência da queda ao longo dos meses.
Mais do que interromper a queda, o objetivo da avaliação dermatológica é entender o que está acontecendo com o organismo e agir de forma estratégica antes que o problema evolua.
Porque muitas vezes o cabelo não é apenas uma questão estética. Ele pode ser um sinal de que o corpo precisa de atenção.
Dra. Juliana Sugita
Dermatologista – CRM-GO 11716 | RQE 8239
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